lutei, resisti bravamente, mas eis que chegou um dia em que já não era mais possível evitar: meu siso estava crescendo, inflamando constantemente, e pior: empurrando minha dentição de tal modo que passou a afetar minha mordida (e bem além da simples estética). resultado: cirurgia à vista.
ensaiei e conversei com muitos dentistas, mas optei por um cirurgião experiente, o dr. savério muotri. fiz a radiografia panorâmica (com laudo) e a situação foi ratificada - era mesmo caso para extração.
agendamos então para uma sexta-feira de feriado, por sugestão do cirurgião. teoricamente, o processo de recuperação leva não menos do que 3 dias. mas cada caso é um caso, e o meu particularmente levou ao quarto dia com uma dor terrível - curiosamente nos nervos da face, ao invés do corte da cirurgia como seria de se esperar. segui toda e cada recomendação que me foi proposta, mas descobri da pior forma que não existe fórmula de sucesso garantido nestes casos. vou compartilhar então algumas coisas da minha experiência pessoal.
radiografia panorâmica. jamais entre para uma cirurgia sem que o dentista tenha estudado este material em detalhes. mas saiba: esta radiografia tem (nada menos que) 30% de erro de precisão! pode parecer pouco e perfeitamente aceitável em algumas situações, mas confesso que minha mente engenheira sofreu inconformada desde o momento que começou a pensar nos possíveis impactos que este fato causa num plano de vôo de cirurgia, cuidadosamente traçado com antecedência pelo seu cirurgião. Na prática: minha cirurgia foi prevista para extração dos 2 sisos inferiores em 3h; levou 4h e a extração do único dente que foi possível neste tempo e que só foi possível graças a um processo (último recurso) de alavanca dupla. agora imagine o que é ter 4 mãos, 4 aparelhos e mais 2 instrumentos de alavanca dentro da sua cavidade bucal, mais muita força do cirurgião, depois de 4 horas de tentativas e agressões ao osso do maxilar.
segunda opinião. por causa dos 30% de imprecisão, a chance de precisar mudar o plano em pleno vôo é alta. neste caso, ter mais de um dentista participando da cirurgia me pareceu uma ótima abordagem. fora que eles conseguem render um ao outro quando há necessidade de longos períodos de aplicação de força. tem o inconveniente de ter 4 mãos dentro de sua cavidade bucal, mas me pareceu que o esforço acaba se pagando.
anestesia local. anestesia é coisa séria. apesar de parecer que quanto mais, melhor, na prática não é bem assim. fique ligado, a parestesia labial/lingual pode passar relativamente rápido após a cirurgia, mas o efeito bruto da anestesia não passa assim tão rápido. pense nisso.
primeiro dia, gelo. particularmente não gostei muito da idéia de ficar tomando sorvete com alta frequência (sei lá, não sou assim tão fã de doce a ponto de repetir a dose várias vezes). optei pela compressa de gelo, mas a aplicação continuada acabou potencializando uma nevralgia que me acompanhou por vários dias. acredite: com o rosto inchado, sensação de muito quente dentro do corte e necessidade de repouso, a última coisa que você vai querer é sentir dor de ouvido/cabeça/garganta. então, cuidado como aplica a compressa de gelo para não gelar mais partes do rosto do que o necessário!
cortisona engorda (e muito). pra quem acha que vai descolar um quilinhos a menos por causa da obrigatoriedade de consumo de alimentos líquidos, um recado: tome o mínimo possível de medicamentos à base de cortisona! não sei se o efeito é o mesmo para homens, mas para mulheres é fatal: engorda!
ninguém merece uma gastrite. que foi o que me acometeu logo que a dor e a nevralgia começaram a passar. por causa da dor intensa, tive que agregar um relaxante muscular "potente" à prescrição médica original. a recomendação era 12h/12h, mas a dor foi tanta que eu não consegui me manter trabalhando e suportar a dor por mais de 4h/4h. por causa da nevralgia intensa, complexo B 3 vezes ao dia. por causa da cirurgia, 21 cápsulas de antibiótico de 8h/8h. resultado: 7 dias depois fiquei com o estômago ardendo até na ingestão de água. daí veio a dica milagrosa do meu querido sogro: cloridrato de ranitidina. Na prática, um remedinho receitado para preparar o estômago para ingestão de remédios (o que eu devia ter tomado desde o início), e que funciona reduzindo a produção de suco gástrico e aumentando o pH do estômago com intuito de dar tempo para o tecido se recuperar em caso de lesão leve.
cuidado pós-cirúrgico. ter alguém para te ajudar a se movimentar, preparar bolsinhas de água quente, comidinha líquida, correr na farmácia quando o remédio não está fazendo efeito, e ir com você até o dentista no dia da cirurgia e na volta para tirar os pontos, entender que você precisa ficar deitado, pode fazer toda a diferença. especialmente porque não somos a mesma pessoa quando a dor chega e se instala. e eu não tenho palavras para agradecer ao carinho e suporte dele. obrigada, amor!
ainda faltam 3 sisos para extração. espero ter pago todos os meus pecados (ao menos todos os mais graves) com este primeiro!
quinta-feira, outubro 25, 2007
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