terça-feira, janeiro 22, 2008

melhor bolo de chocolate do mundo? há controvérsias...

ano novo, agenda de treino nova, bike em ordem, alimentação controlada. ou quase, já que precisa estar doente para recusar bolo de chocolate. ainda mais aquele, o tal melhor bolo de chocolate do mundo. dia cinzento, chuvinha presente, alguém lembra do tal. fomos conferir. fiquei com o meio-amargo, mas provei um teco do normal que me pareceu muito mais saboroso, embora consideravelmente mais enjoativo. tecnicamente, o tal bolo não me pareceu exatamente um bolo, mas uma torta ou merengue mesmo: 3 camadas dele intercaladas por generosa calda de chocolate. local agradável, bom atendimento, café de primeira (suplicy). mas ainda acho que sou mais o meu bolinho de chocolate amargo... :)

segunda-feira, janeiro 14, 2008

até breve, clau!


gostaria de poder ter milhares de palavras lindas para me despedir de você.
da claudia amigona, divertida, presente.
da claudia iluminada, sempre sorridente.
da claudia elegante, falante, boa gente.
da tua bondade.

mas então eu me lembro com carinho de cada sorriso teu,
de cada palavra amiga,
de cada invenção do dialeto brasileiro versão claudia machado,
de nossas horas divertidas com as meninas (maria delfina e virginia),
da honra de ter te conhecido e compartilhado boas porções de sua vida.

e rejeito a idéia de me despedir de você.
porque de pessoas como você, a gente não se despede.
para pessoas como você, querida clau, a gente diz: até breve!

quinta-feira, janeiro 10, 2008

papo de bêbado

vai parecer papo de bêbado ou coisa do genêro. mas acreditem: duas semanas de trilhas e enduros à pé nas montanhas do interiorzão e... nem sinal dos incontáveis efeitos pós-cirúrgicos que vinham me acometendo desde há 3 meses... não que seja uma reclamação, vejam bem... é que ando olhando para a guia médica do teste cutâneo de alergia e sistematicamente postergando a marcação deste exame... tragam as esteiras, meu personal trainer, tênis confortável, a bike e o cantil: a sheila esportista voltou! :)

quarta-feira, dezembro 19, 2007

reconhecendo um amigo de infância: rinite alérgica

quem chegou a pensar que a odisséia dos efeitos desencadeados pela cirurgia de siso no meu organismo já eram coisas do passado, enganou-se. passei umas boas semanas entre parestesias, nevralgias, suspeita de enxaqueca e afins. e claro, ingerindo remedinhos para ajudar no controle de cada uma dessas patologias.

há cerca de 3 semanas me vi com sintomas de algo que reconheci como um resfriado. diagnóstico aparentemente adequado diante das bruscas mudanças climáticas a que ficaram submetidos os paulistanos nesta primavera. administrei a doença por alguns dias com remedinhos caseiros, e como não houve melhora alguma, no décimo dia achei por bem procurar um hospital.

depois de algumas radiografias de pulmão e face, a médica do PS proferiu a sentença: rinite alérgica. em último estágio, veja bem - daquelas que requerem antibiótico para ajudar na recuperação. rinite alérgica? bem, a estória continua, já que 7 dias mais tarde, depois de tomar toda a medicação prescrita - basicamente antibiótico e antialérgico - permaneci exatamente com os sintomas anteriores, como se nada tivesse ingerido. foi quando descobri um hospital especializado em otorrinolaringologia aqui em sampa e apelei para o especialista.

minha pesquisa mental indicou zero registros sobre rinite alérgica. mas afinal, o que é isso? agora que descobri, achei interessante compartilhar algumas coisas que aprendi. aí vai.

alergia, na realidade, não significa falta de defesa do organismo, mas uma defesa exagerada contra determinados agentes. na prática, isso quer dizer que o alérgico é hiperreativo a substâncias que outras pessoas talvez nem percebam que existe. é por isto que algumas pessoas, convivem normalmente com fatores que causam a alergia, como a poeira de casa, sem ter sintomas, ao passo que outras pessoas ao entrarem em contato com esta mesma poeira podem ter rinite e asma.

uma coisa importante para se ter em conta é que o alérgico não nasce com alergia, mas com a capacidade de sensibilizar-se. de acordo com o dr. joão ferreira de melo junior, tornar-se sensível significa passar a ter uma resposta de defesa a uma substância que antes era tolerada. na prática, quer dizer que podemos conviver com determinada substância por muitos anos, e vir a desenvolver sintomas apenas tardiamente. cerca de 10 a 25% das pessoas sofrem de rinite alérgica. foi aqui que comecei a entender "por que eu?" e porque isso não necessariamente tem relação com os efeitos de minha famigerada cirurgia do siso.

para falar em sintomas da rinite alérgica: obstrução nasal (entupimento), coriza, espirros e coceira no nariz. às vezes também ocorrem otites (inflamação dos ouvidos), sinusites (inflamação de cavidades existentes na face) e roncos (pelo entupimento do nariz). mas isso tudo só se manifesta quando o paciente estiver em contato com as substâncias aos quais é alérgico.

agora para entender porque estes pacientes ficam mais resfriados: o resfriado é uma inflamação do nariz, que compromete os mecanismos de proteção nasal, com isto facilitando a entrada dos alérgenos (substâncias que provocam alergia).

se você é alérgico, a primeira lei diz respeito a higiene ambiental, para redução da quantidade de alérgenos. a segunda lei é evitar contato com substâncias capazes de irritar o nariz: cheiros de perfumes, produtos de limpeza, produtos para deixar os ambientes com cheiro agradável, fumaça de cigarro, tintas, inseticidas e poluição, são alguns exemplos de substâncias capazes de irritar o nariz, e desencadear sintomas. mas tem outras coisas que entram neste tema: mudanças bruscas de temperatura, frio e umidade do ar são também prejudiciais aos pacientes.

pensando sobre estas dicas, lembrei-me de que desde há muito tempo me reconheço como "alérgica a fumaça de cigarro". o que parecia quase arrogante para alguns, agora tem explicação científica: para mim, fumaça de cigarro é alérgena. assim como o pó de construção, apesar deste não carregar, teoricamente, escamas de tecidos daquele tipo que alimenta os ácaros que normalmente são alérgenos.

seja como for, a vida de um alérgico que, mais do que morar numa cidade em obras, ainda mora em frente a uma obra de grande porte e trabalha num prédio comercial também em obras, é mais que um desafio. é um exercício de disciplina, paciência e consciência da necessidade de apelar para descongestionantes, anti-histamínicos, estabilizadores de membranas e corticosteróides, conforme o caso.

talvez seja um sinal de que chegou a hora de ir-me embora para passárgada! :)

quinta-feira, novembro 15, 2007

surpresas no trânsito da cidade

"táxi!". o motorista pára e lá vou eu de volta para o trabalho. entro no carro, um tanto quanto velhinho, mas logo a primeira boa impressão: dos alto-falantes do modesto rádio surge música para meus ouvidos. vejam bem: clássica!

"puxa, que surpresa. o senhor aprecia a programação da rádio cultura?". o motorista me sorri pelo espelho retrovisor e já vai logo avisando "passageiro que acha que música clássica é para relaxar ou dormir não é benvindo no meu táxi!". e completa: "agora mesmo, deixei um aqui bem próximo. falava ao celular como um louco, gritando, brigando. por causa do tumulto, perdi a oportunidade de saber o que é que está tocando agora. e como é bela esta ópera (sic)."

nem bem terminara seu raciocínio e já me dou conta de que esta corrida de táxi não seria nem de longe comum. e justo eu que não sou exatamente falante quando no banco do passageiro conduzida por um motorista desconhecido. provoco: "bem, vejamos se posso ajudá-lo. a mim não me parece uma ópera... belíssimo solo de violino, não? seria talvez um concerto para violino e orquestra". ao que me responde: "bem observado. e a orquestra parece acompanhar com uma marcha militar. será uma marcha francesa?". definitivamente, sui generis o nosso motorista.

depois de algumas interações na tentativa de descobrir o compositor, vem a pergunta. "a senhora é música (sic)?". ao que respondo: "não. apenas observadora. meu marido é compositor, mas eu apenas observadora". e me retruca: "se o mundo tivesse mais 'observadores' como a senhora, menos gente perderia tempo com novela e televisão. as pessoas se perdem com a televisão, ao invés de olhar seus filhos e conversar com suas famílias. uma pena. o importante é manter a cabeça ocupada com o que é bom."

chegamos ao nosso destino. faço questão de lhe deixar o troco como cortesia. mal sabe ele que teria ajudado a renovar minhas esperanças no ser humano. na caminhada até o lobby, espio o carro saindo e rezo uma prece para que ele possa ter oportunidade e força de vontade, para continuar "mantendo a cabeça ocupada com o que é bom na vida". um mundo melhor, depende de pessoas melhores. e vice-versa.

quinta-feira, outubro 25, 2007

meus mitos e verdades sobre cirurgias de siso

lutei, resisti bravamente, mas eis que chegou um dia em que já não era mais possível evitar: meu siso estava crescendo, inflamando constantemente, e pior: empurrando minha dentição de tal modo que passou a afetar minha mordida (e bem além da simples estética). resultado: cirurgia à vista.

ensaiei e conversei com muitos dentistas, mas optei por um cirurgião experiente, o dr. savério muotri. fiz a radiografia panorâmica (com laudo) e a situação foi ratificada - era mesmo caso para extração.

agendamos então para uma sexta-feira de feriado, por sugestão do cirurgião. teoricamente, o processo de recuperação leva não menos do que 3 dias. mas cada caso é um caso, e o meu particularmente levou ao quarto dia com uma dor terrível - curiosamente nos nervos da face, ao invés do corte da cirurgia como seria de se esperar. segui toda e cada recomendação que me foi proposta, mas descobri da pior forma que não existe fórmula de sucesso garantido nestes casos. vou compartilhar então algumas coisas da minha experiência pessoal.

radiografia panorâmica. jamais entre para uma cirurgia sem que o dentista tenha estudado este material em detalhes. mas saiba: esta radiografia tem (nada menos que) 30% de erro de precisão! pode parecer pouco e perfeitamente aceitável em algumas situações, mas confesso que minha mente engenheira sofreu inconformada desde o momento que começou a pensar nos possíveis impactos que este fato causa num plano de vôo de cirurgia, cuidadosamente traçado com antecedência pelo seu cirurgião. Na prática: minha cirurgia foi prevista para extração dos 2 sisos inferiores em 3h; levou 4h e a extração do único dente que foi possível neste tempo e que só foi possível graças a um processo (último recurso) de alavanca dupla. agora imagine o que é ter 4 mãos, 4 aparelhos e mais 2 instrumentos de alavanca dentro da sua cavidade bucal, mais muita força do cirurgião, depois de 4 horas de tentativas e agressões ao osso do maxilar.

segunda opinião. por causa dos 30% de imprecisão, a chance de precisar mudar o plano em pleno vôo é alta. neste caso, ter mais de um dentista participando da cirurgia me pareceu uma ótima abordagem. fora que eles conseguem render um ao outro quando há necessidade de longos períodos de aplicação de força. tem o inconveniente de ter 4 mãos dentro de sua cavidade bucal, mas me pareceu que o esforço acaba se pagando.

anestesia local. anestesia é coisa séria. apesar de parecer que quanto mais, melhor, na prática não é bem assim. fique ligado, a parestesia labial/lingual pode passar relativamente rápido após a cirurgia, mas o efeito bruto da anestesia não passa assim tão rápido. pense nisso.

primeiro dia, gelo. particularmente não gostei muito da idéia de ficar tomando sorvete com alta frequência (sei lá, não sou assim tão fã de doce a ponto de repetir a dose várias vezes). optei pela compressa de gelo, mas a aplicação continuada acabou potencializando uma nevralgia que me acompanhou por vários dias. acredite: com o rosto inchado, sensação de muito quente dentro do corte e necessidade de repouso, a última coisa que você vai querer é sentir dor de ouvido/cabeça/garganta. então, cuidado como aplica a compressa de gelo para não gelar mais partes do rosto do que o necessário!

cortisona engorda (e muito). pra quem acha que vai descolar um quilinhos a menos por causa da obrigatoriedade de consumo de alimentos líquidos, um recado: tome o mínimo possível de medicamentos à base de cortisona! não sei se o efeito é o mesmo para homens, mas para mulheres é fatal: engorda!

ninguém merece uma gastrite. que foi o que me acometeu logo que a dor e a nevralgia começaram a passar. por causa da dor intensa, tive que agregar um relaxante muscular "potente" à prescrição médica original. a recomendação era 12h/12h, mas a dor foi tanta que eu não consegui me manter trabalhando e suportar a dor por mais de 4h/4h. por causa da nevralgia intensa, complexo B 3 vezes ao dia. por causa da cirurgia, 21 cápsulas de antibiótico de 8h/8h. resultado: 7 dias depois fiquei com o estômago ardendo até na ingestão de água. daí veio a dica milagrosa do meu querido sogro: cloridrato de ranitidina. Na prática, um remedinho receitado para preparar o estômago para ingestão de remédios (o que eu devia ter tomado desde o início), e que funciona reduzindo a produção de suco gástrico e aumentando o pH do estômago com intuito de dar tempo para o tecido se recuperar em caso de lesão leve.

cuidado pós-cirúrgico. ter alguém para te ajudar a se movimentar, preparar bolsinhas de água quente, comidinha líquida, correr na farmácia quando o remédio não está fazendo efeito, e ir com você até o dentista no dia da cirurgia e na volta para tirar os pontos, entender que você precisa ficar deitado, pode fazer toda a diferença. especialmente porque não somos a mesma pessoa quando a dor chega e se instala. e eu não tenho palavras para agradecer ao carinho e suporte dele. obrigada, amor!

ainda faltam 3 sisos para extração. espero ter pago todos os meus pecados (ao menos todos os mais graves) com este primeiro!

quinta-feira, setembro 20, 2007

salvem as baleias!

recebi esses dias uma dica muito bacana a respeito de um website patrocinado pelo nosso ministério da educação do brasil, que compila várias obras que já se encontram em domínio público e outras com a devida licença por parte dos titulares dos direitos autorais pendentes.

tem de tudo: livros, pinturas, fonogramas de música erudita (inclusive brasileira), e muitas outras coisas interessantes. encontrei de fernando pessoa a van gogh; de dante alighieri a dissertações de mestrado e teses de doutorado. uma verdadeira biblioteca digital.

o website é o domínio público e, segundo me contaram, encontra-se em vias de ser desativado por falta de tráfego. pode isso? recomendo que você planeje uma visita por lá. e claro, que recomende para outros!

dica do meu querido marco. obrigada! :)

terça-feira, setembro 11, 2007

slow food já!

Um dia desses, enquanto esperava por uma deliciosa entrada de bruschetta de creme de parmesão, folheando o cardápio ainda mais delicioso do bistrô no alto da montanha, vim a conhecer o movimento slow food. Genial, pensei. É sempre reconfortante saber que ainda existe salvação para as novas gerações, insistentemente motivadas a cultuar e perpetuar o (leia-se junk) fast food.

O movimento, batizado slow food e representado por uma simpática lesminha, nasceu na Itália em 1986 (Bra, Serralunga d’Alba e Barolo). Tornou-se um movimento internacional em 1989, com um manifesto de inauguração assinado por 15 países. Itens como agricultura sustentável e defesa da biodiversidade são pauta permanente na agenda do movimento, que em 2006 esteve no Brasil em preparação para discussões no Forum Mundial.
Eu virei fã de carteirinha. Viva o prazer de saborear e apreciar uma boa refeição! Slow Food já! :)

quinta-feira, setembro 06, 2007

oásis verde na metrópole

dia desses me deliciei com o post dela comentando sobre um destino da metrópole que eu totalmente desconhecia: o jardim botânico. parte da minha personalidade dual está justamente a meio caminho entre a cidadã do mundo - urbana, conectada - e a sintonia com o verde das plantas e coloratura do canto das aves. o passeio é agradável e vale no mínimo para deixar o visitante desavisado com vergonha de ter passado anos assimilando jardim botânico a rio de janeiro - ou curitiba, necessariamente! :)

além de interessantes opções de passeios e trilhas, as estufas reúnem espécies muito bacanas, o restaurante serve uma comidinha honesta e muito saborosa, a livraria é pequena mas tem bons títulos, e os lagos fazem um show à parte para os olhos. recomendado!

terça-feira, agosto 21, 2007

cedendo aos encantos da tecnologia

esses tempos ando de volta cercada pelos apelos do mundo high tech. curiosamente, descobri que apesar de não precisar de jeito nenhum de um celular tipo faz-tudo, a demanda induzida é algo com a qual se aprende a conviver rapidinho, em nome do canto da sereia da tecnologia... :)

por falta de uma alternativa de conexão, o bichinho virtual tem 4 - mais do que oferece muito laptop, diga-se de passagem. não fosse pela interface ainda tediosa para o armazenamento completo de dados de contato no celular, é possível que o próximo item candidato a aposentadoria dentre meus brinquedinhos seria a palm. mesmo destino da câmera digital e mp3 player, por sinal.

os encantos já andam empacotados de conveniência de convergência digital, amplamente disponíveis por aí. mas acho que ainda vai levar um tempo para nos livrarmos do mal de ter que transportar vários carregadores e cabos de conexão. nesse meio tempo, vou me divertindo pelo caminho com os concertos para piano de mozart disponíveis a um toque de tecla pessoal no meu brinquedinho novo.

terça-feira, agosto 07, 2007

estiagem literária

num plágio descarado da expressão dele, declaramos a quem interessar possa, que nosso período de estiagem literária finalmente chegou para ficar por uns dias... :)

bem, talvez estiagem não seja a designação mais adequada, já que ando por aí às voltas com meu o caçador de pipas. pois bem, eu que não sou exatamente uma fã de best sellers confesso que estou encantada com a força de caráter do menino hassan...

a nova onda passatempo por aqui agora é a versão ultra-difícil de desafios da coquetel... alguém aí é craque em sudoku? :)

quinta-feira, agosto 02, 2007

imunidade ao trânsito caótico?

tenho desfrutado nos últimos tempos de algo que numa cidade com trânsito cada vez mais caótico como São Paulo, poderia ser considerado um verdadeiro privilégio: trabalhar na vizinhança de casa. para alguém que até a cerca de um ano conhecia comissários de bordo da american airlines pelo primeiro nome (tamanha a frequência de sobes-e-desces brasil-eua) e quando em terra brasilis costumava gastar cerca de 3h por dia no vai-vém casa-trabalho-casa, ter trocado por um emprego a 8km de casa já representou um salto qualitativo e tanto! o tempo médio de viagem caiu para 3h por semana! o saldo remanescente, fiz questão de investir em treinos na academia perto de casa, pit-stops no horti-fruti e longas caminhadas pelo bairro.

parte significativa da minha equipe hoje chegou atrasada por causa da situação complicada no trânsito provocada pela paralisação dos metroviários. disseram que nem os táxis conseguiram dar conta do contingente de pessoas desesperadas por uma alternativa para chegar ao trabalho. me pergunto por quanto tempo mais ainda vou permanecer fiel à opinião de que fiz um bom negócio optando por ser brasileira no brasil. a favor do brasileira em são paulo será preciso muito mais do que convicções brasilianistas. pelo menos por enquanto, a quase imunidade ao trânsito caótico pela proximidade casa-trabalho ainda depõe a favor. de resto, é torcer para que a situação volte ao normal o quanto antes.

terça-feira, julho 24, 2007

reciclar é preciso!

Aderi à onda da separação do lixo reciclável em 1992, ano que entrei para a faculdade em Campinas. Naquela época, vestir a camisa da reciclagem não era exatamente algo muito prático, embora já absolutamente necessário e urgente. Primeiro fui eu; depois minha família em São Paulo. Numa época em que descarte seletivo era passivo e disponível apenas em Campinas, levou algum tempo, mas finalmente convenci meus pais a separarem o lixo reciclável, que era por mim transportado na volta do final de semana até o ponto de coleta do Parque Ecológico. Com o tempo, constatamos uma verdade interessantíssima: nossa capacidade de gerar lixo reciclável era muitas vezes superior à geração de lixo orgânico na casa. E isso fica muito claro logo que a gente se inicia neste "ofício" de separação, o que por sinal acaba sendo um fator de aceleração da adesão de todos na casa.

Desde aqueles tempos, venho aos poucos trabalhando para disseminar esta atitude "verde" entre os meus amigos. Acredito que fazer um mundo melhor depende de cada um de nós, e começa com nossas próprias atitudes. Confesso, nada para mim é tão mais gratificante quanto constatar esta sementinha germinando por aí. Somos muitos mais defensores desta causa hoje, e fico feliz por ter contribuído ativamente para que outros comprassem e compartilhassem desta idéia. Como sociedade, temos ainda um longo caminho pela frente para coletar, separar e efetiva e eficazmente reciclar; mas já sou feliz em fazer a minha parte separando e assegurando as pré-condições para a coleta. Para se chegar longe, é preciso começar pelo primeiro passo. Obrigada e vivas aos que se deixaram tocar por esta atitude! :)

sexta-feira, julho 20, 2007

notícias do mundo de lá

se mudar é o nome do jogo, fazer amigos é a melhor parte: compartilhar, colaborar, ouvir; comer, beber, rir! porque somos o que queremos ser com os amigos que queremos (man)ter.

se mudar é o nome do jogo, estar junto nem sempre é possível todo o tempo. mas se o ser amigo é verdadeiro, não existe espaço-tempo capaz de apagar uma amizade.

obrigada pela amizade de vocês! muito boa sorte para todos nós!

quarta-feira, julho 11, 2007

cada um escreve o que é capaz

"tenho para mim que sou essencialmente um leitor (...) acho que o que li é muito mais importante que o que escrevi. pois a pessoa lê o que gosta - porém não escreve o que gostaria de escrever, e sim o que é capaz de escrever."

(in o credo de um poeta, por j.l.borges)

sábado, junho 30, 2007

desabafo em forma de crítica

numa dessas verdadeiras operações pente fino, dia desses encontrei uma pequena jóia na estante de crítica literária da minha livraria favorita. 160 páginas de uma edição da companhia das letras, para o registro impresso de palestras proferidas entre 1967-1968, pelo poeta argentino jorge luis borges, em inglês na Universidade de Harvard.

composto em 6 capítulos - um para cada uma das palestras do que ficou conhecido como as Norton Lectures - o livro é uma belíssima introdução à literatura, ao gosto e à visão própria de borges.

e como a forma é de crítica, mas o conteúdo deste post um desabafo, escolhi duas passagens desse ofício do verso, para ilustrar o objetivo, ambas registradas na última palestra o credo de um poeta: um pensamento do mestre e uma citação de um poema de robert frost, onde a metáfora destaca na repetição aparente uma profunda reflexão em verso.

"acho que a pessoa deve tentar acreditar nas coisas, mesmo que elas a decepcionem mais tarde." (j.l.borges)

"for I have promises do keep
and miles to go before I sleep
and miles to go before I sleep"
(robert frost)

sexta-feira, junho 29, 2007

from bright to grey within a day

awake! for morning in the bowl of night
has flung the stone that puts the stars to flight;
and, lo! the hunter of the east has caught
the sultan's turret in a daze of light.

. . .

dreaming when dawn's left hand was in the sky
I heard a voice within the tavern cry,
"awake my little ones, and fill the cup
before life's liquor in its cup be dry"

(rubáiyát, from omar khayyám, translation by edward fitzgerald)

quarta-feira, junho 13, 2007

entre cálculos e letras, resultados e sentimentos

não sei dizer ao certo como foi que, com um enorme gosto pela literatura desde tempos imemoriáveis, vim a me formar engenheira de computação. creio que seja mesmo uma pessoa feliz, pois, pudesse eu voltar no tempo, uma vez mais entregaria minha inteligência e vitalidade à engenharia, algo que sempre admirei. é bem verdade que atuando em processos, da engenharia mesmo trago não muito mais do que o entorno de sua essência: a capacidade de raciocinar, estabelecer relações, planejar, executar e controlar... :)

e me esforço em igual medida para não me desprender jamais da poesia, da leitura... e da escrita. sou daquelas pessoas que têm apetite de informação multidisciplinar, mas não menos voraz se revela meu interesse por cultura. não é para menos o fato de eu ser absolutamente incapaz de ler um livro por vez... em geral, leio muito e vários simultaneamente, o que para mim é perfeitamente normal. curioso.

esses dias meu interesse anda focado no estudo sistemático da estrutura narrativa, especialmente para textos jornalísticos, entrevistas e escrita literária. como determinar a linha tênue que divide o que é e o que não é um texto com valor literário? pretendo descobrir se não uma resposta razoável, no mínimo uma porção de outras perguntas que me ajudem a percorrer meu próprio caminho nesta investigação.

estou lendo "o estranho caso do cachorro morto", um romance que apesar do título sui generis tem um argumento narrativo absolutamente envolvente. tomando emprestado o critério que o protagonista, o menino christopher, usa para determinar se um dia será bom, muito bom, ruim ou muito ruim, com uma pequena modificação crio o meu próprio: dia bom passa a ser mais do que um dia em que valeu a pena levantar da cama porque algo de interessante foi realizado. dia bom merece uma tentativa de texto literário, um conto, uma poesia, um texto qualquer - ainda que seja para o concurso literário mensal da revista piauí... :)

fica por aqui então minha tentativa de feito literário de hoje: o texto que escrevi para encaixar a frase "Ele implicava com leiloeiros; apreciava mais os falsários". é mais do que certo que eu como aprendiz de escritora devo ser uma ótima leitora... mas fecho este dia feliz de ter entregue ao dia "muito bom" um pequeno exemplar de algo pelo qual vale a pena levantar da minha cama. será? :)

nota: como não sei se a revista mantém os textos para consulta depois do encerramento do concurso, uma cópia alternativa do mesmo será mantida aqui.

quinta-feira, maio 31, 2007

h2o

"A água chia no púcaro que elevo à boca.
«É um som fresco» diz-me quem me dá a bebê-la.
Sorrio. O som é só um som de chiar.
Bebo a água sem ouvir nada com a minha garganta.
"

(in "Poemas Inconjuntos". Poemas Completos de Alberto Caeiro)

e eu, que assumidamente não bebo a água, tô aqui, sofrendo as consequências com um tendão lesionado... tsc, tsc... gosta tanto de pessoa... bem que se podia deixar influenciar, né? ;)

segunda-feira, maio 21, 2007

minúscula singular

"um renque de árvores lá longe, lá para a encosta.
mas o que é um renque de árvores? há árvores apenas.
renque e o plural de árvores não são coisas, são nomes."
(alberto caeiro / fernando pessoa)