sexta-feira, fevereiro 29, 2008

caminhando e cantando... e reduzindo minha pegada de carbono!

incentivos para deixar o possante na garagem não faltam:
  1. trânsito cada dia pior (leia-se 45 minutos em média para fazer um trecho de 1,5km!)
  2. consumo de combustível inacreditável - o motor não chega a aquecer o suficiente para render melhor no trajeto; mesmo se acontecesse, o curto percurso não ajuda; o carro tem motor 2.0...
  3. compromisso verde - veja bem, sou fiel adepta da onda dos recicláveis, orgânicos e afins desde meus tempos de residência no interior (há mais de 15 anos), quando transportava os recicláveis que a família separava em sampa para descarte seletivo em campinas!
  4. pavor da minha pegada de carbono - é incrível a quantidade de lixo que uma simples pessoa acumula no dia-a-dia: de embalagens a CO2...

há algumas semanas adotei a idéia de ir/voltar no trecho casa/trabalho à pé. saio mais cedo, tomo meu café sossegada, e numa caminhada de no máximo 30 minutos estou confortavelmente instalada no escritório. na volta, mesma abordagem - muda só que já chego aquecida na academia... :)

estou pleiteando um estacionamento para minha bike, já que tenho direito a uma vaga de estacionamento que não tenho usado. é curioso perceber que numa empresa que apóia a qualidade de vida, estacionamento para bike ainda soa como um pedido esquisito.

enquanto a vaga não chega, é tênis na mochila e pé na rua. caminhando e cantando... :)

domingo, fevereiro 24, 2008

não será excesso de hiper-realismo?

assisti hoje a senhores do crime (do original eastern promises). excelente atuação de viggo mortensen na pele de um suposto membro (nikolai) da máfia russa ligada ao tráfico internacional de sexo, a Vory v Zakone.

para mim, nomeação mais do que justa para o Oscar 2007 na categoria melhor ator - até porque acho que ele já o merecia desde a interpretação de aragorn no senhor dos anéis do peter jackson. o viggo para mim entrou para a categoria de atores versáteis e brilhantes - pertinho do johnny depp... :)

mas eu queria mesmo era falar sobre o incômodo que tem me causado o exagero do hiper-realismo. a moda pegou com mais força depois do aclamado quentin tarantino. particularmente, seus filmes não fazem muito a minha cabeça, mas respeito e até entendo a aplicação nos contextos que ele cria. que eu me lembre, miami vice, que tive neste aspecto a infelicidade de assistir em estréia nos estados unidos, foi o primeiro filme desta nova geração onde pela primeira vez o hiper-realismo nas cenas de violência me incomodou muito; depois veio a queda e então ultimamente parece ter virado lugar comum.

entendo que eastern promises, tratando de um tema ligado à máfia russa em londres acabaria sendo um candidato natural para cenas de hiper-realismo. mas o que incomoda mesmo - além do sangue jorrando da tela direto para o seu assento - é que o hiper-realismo em excesso não está nem de longe vinculado a um reforço narrativo relevante. eu teria passado sem crise por omissões como na cena da sauna, onde o nikolai usa um punhal para acertar o olho do oponente (em close), ou na cena da barbearia onde o garoto usa a navalha para cortar o pescoço do cliente...

gostaria de poder dizer que gostei do filme, mas acho que gostei mesmo foi da brilhante atuação do viggo. e me incomodei muito (mesmo) com o hiper-realismo gratuito. para mim, um excesso.

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

os dias são difíceis quando você não escreve

primeiro foi a capa do romance neve. aquela foto me lembrou imediatamente dos olhos da afegã refugiada na capa da edição especial the photographs, da national geographic. passei uns dias pensando se haveria alguma conexão sugestionada pela semelhança das fotos.
* * *
depois veio a curiosidade surgida em minhas andanças pelas livrarias da cidade, quando me deparei com alguns vários outros romances do mesmo autor, orhan pamuk. num deles, matei a charada: orhan é o turco ganhador do Nobel de Literatura de 2006! mas a dúvida persistiu... será que orhan escreve romances com a velocidade de um grisham? ou do contrário, o que justificaria o mar de romances disponíveis para venda com preços de lançamento?
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dia desses, passeando pela livraria Saraiva, lá estava um outro chamado - um precioso livrinho, composto de 3 discursos escritos por orhan para 3 ocasiões mais do que especiais: um para entrega do prêmio Nobel de literatura (a maleta do meu pai, 2007); um para a entrega do prêmio friendenpreis (em kars e frankfurt, 2005); um para a conferência puterbaugh sobre literatura mundial (o autor implícito). edição belíssima da companhia das letras, desta vez sentei para espiar o conteúdo. amei o discurso da maleta. resultado: comprei no ato e passei as próximas horas devorando os outros 2! e então descobri que os "lançamentos" não são exatamente lançamentos do ponto de vista das publicações do autor, mas da versão em língua portuguesa.
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Me deliciei com o autor escrevendo que "para mim, literatura é remédio." e que "todos os dias são difíceis. os dias são difíceis quando você não escreve. são difíceis quando não consegue escrever nada. o segredo é encontrar esperança suficiente para chegar ao fim do dia e, se o livro ou trecho que está lendo for bom, encontrar nele alguma alegria, e felicidade. ainda que só por um dia." É isso. Também eu preciso escrever ou estar perdida num livro. Sem literatura não é possível sonhar.

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

verdades e mentiras sobre infraestrutura para bikers em sampa

nota 00 para o pessoal da Estapar
O pessoal da EstaparRiopark teria entrado na onda verde com o projeto Bicicletários, lançado no último 25 de Janeiro, aniversário da cidade. A proposta é boa, tem desde empréstimo gratuito de bicicletas para segurados Porto Seguro até disponibilização de espaço adequado para estacionamento das magrelas a baixo custo: 2 reais para não-clientes da Porto (a cada 12 horas).

Tudo bem que o projeto acabou de entrar em operação, mas particularmente tentar estacionar a minha no Estapar do site do Kinoplex no Itaim, foi para dizer o mínimo, um transtorno e tanto! Começa que o estacionamento não fez nenhuma adaptação logística para receber os ciclistas: é preciso parar e passar (você e a sua bike) por baixo da cancela disponível na entrada para veículos. Depois, estacionar a bicicleta é tarefa complexa: é preciso pedir para chamar o encarregado do bicicletário, ter força e coragem para pendurar a sua nos (poucos) ganchos disponíveis, preencher um longo formulário de cadastro e aguardar pela afixação de um número de identificação no guidon. Coisa para 15 a 20 minutos - contados depois que chega o tal encarregado, naturalmente.

nota 10 para o pessoal do Market Place!
Logo na entrada do Market Place você já vai ver sinalizado adequadamente o acesso para motos e bicicletas. Ao final da rampa de acesso, lá está o bicicletário com seus suportes de piso individualizados. É só escolher o seu e estacionar a magrela. Juro, só isso. Ah sim, e o melhor: custo zero, burocracia zero, e um segurança especialmente alocado para vigia da área de motos/bicicletas. Sem esperas. Isso é o que eu chamo de conveniência logística. E olha que o shopping nem explora o tema como responsabilidade ambiental.

Quem pensa que ciclista precisa apenas de ciclovia está enganado. Falta muito para podermos dizer que a cidade realmente incentiva nossa redução de pegadas de carbono... Ai que saudade da Alemanha! Onde encontramos vagões especiais no trem para transporte de bicicletas e carrinhos de bebê... onde é possível estacionar sua bike na porta do trabalho para usar no deslocamento de/para a estação de trem... Um dia, a gente chega lá! :)