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quarta-feira, abril 14, 2010

salman rushdie na flip?

minha empregada veio com essa hoje. tá certo que por menos que o brasileiro leia, o mercado editorial em terra brasilis não é nem de longe algo que possa ser desconsiderado pelos autores mundo afora. mas daí a justificar a movimentação intercontinental do meu ídolo indiano sentenciado a morte pelo radicalismo iraniano... será? esperemos que sim. acho que essa é daquelas "quem viver, verá"! :)

domingo, janeiro 04, 2009

updates de férias de verão...

para quem está acompanhando meu projeto salman rushdie, aqui vai uma nova: shalimar, o equilibrista é finito! :) o livro, publicado em 2005 em lançamento mundial no brasil, entrou para a fila dos que de fato me impressionaram dentre minhas andanças literárias de 2008. gostaria eu de saber muito mais sobre a situação da kashemira (norte da índia, já na fronteira com o paquistão), do que de fato sei. uma vez mais e ao melhor estilo professor de história do autor, o leitor tem no livro tudo o que é necessário - e apenas o que é necessário - para acompanhar a trama e mergulhar na densidade psicológica das personagens. espetacular a aula sobre o ambiente social e político que fomenta o nascimento de novas gerações de fundamentalistas islâmicos. recomendado! notinha: já iniciada a leitura de outro romance do autor que apesar do pouco lido até agora já deu sinais de ser outra grande obra: o último suspiro do mouro. aguardem...
* * *
aprendi nestas férias de verão que em minas gerais até hotel de luxo "esquece" de emitir nota fiscal de serviços... e isso em cidade turística, heim? seria uma prerrogativa dos mineiros ou deveríamos dizer dos não-paulistas? depois ninguém entende porque o estado de conservação das estradas mineiras é lamentável...

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e para compartilhar idéias geniais, olhem só que fofurinha este cartoon selecionado dentre os melhores de 2008 pela equipe da the new yorker... (gentilmente encaminhado pelo meu namorado calvin)... :)

quarta-feira, setembro 10, 2008

pinceladas literárias

literatura. embora dado como certo pelos críticos do meio, salman rushdie (para quem não se lembra é o escritor condenado à morte em 1989 pelos líderes do Irã por causa de seu livro versos satânicos), finalmente não ficou entre os 6 finalistas para concorrer ao prestigioso booker prize 2008. uma pena. para quem não conhece a fama do talentoso rushdie, dêem só uma olhada na lista de feitos só para ficar nos booker prize:
  • 1981 - ganhador com midnigth's children (os filhos da meia-noite)
  • 1983 - finalista com shame (vergonha)
  • 1988 - finalista com satanic verses (versos satânicos)
  • 1995 - finalista com the moor's last sigh (o último suspiro do mouro)
para quem quiser conferir, publiquei um pequeno post sobre haroun e o mar de histórias, que foi escrito por rushdie como forma de explicar ao filho por que tinha perdido a liberdade de expressão. recomendo, não apenas este mas ainda um outro que estou lendo no momento: shalimar, o equilibrista (2005).
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ainda sobre literatura. pesquisando um pouco mais sobre o propósito e critérios do Booker Prize, alguns cliques mais tarde cheguei a uma visita há muito desejada embora nunca antes realizada: o website do Prêmio Nobel. Se você nunca passeou por lá, visita mais do que recomendada; se já passeou, volte. Tem muita coisa bacana e especialmente amei ter num só repositório as integrais de todos os discursos das cerimônias de premiação.
Senti (muita) falta de ver nomes como (o meu grande querido) (Jorge Luis) Borges por lá. E sonhei (bem alto) em ver o do Milton Hatoum... :)
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e para acabar mais uma sobre literatura. porque tenho estado bastante ocupada com temas borgianos. De um lado, El Aleph, desafiando não apenas minha erudição em espanhol mas também meus conhecimentos de literatura clássica; de outro, o Curso de Literatura Inglesa, um belo projeto patrocinado pela Martins Fontes para recuperação das aulas dadas pelo mestre Borges em 1966 para alunos da Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade de Buenos Aires.

quarta-feira, julho 16, 2008

licença literária: haroun e o mar de histórias

Mais novo integrante da minha lista de leituras finalizadas, Haroun e o Mar de Histórias é um livro simplesmente surpreendente. E por alguns bons motivos. Me explico... Surpreendente porque é parte daquela categoria de histórias que pode ser lida e interpretada sob muitas óticas distintas. Tal como acontece em clássicos como Flatland, do matemático Edwin Abbott e O Pequeno Príncipe, de Saint-Exupèry - só para citar alguns dos muitos que me vêm à cabeça quando o tema é metáfora.
Surpreendente porque conta uma estória de seres fantásticos, perfeitamente integrados apesar da diversidade entre eles, unidos pelo ideal de salvar as palavras e combinações tecidas pelos fios de histórias - estes enfraquecidos e aprisionados pelo propósito de extermínio pelos seres mudos das sombras. Apesar de fantásticos, seres comuns com suas qualidades e limitações, reconfortados e fortalecidos pela percepção coletiva do que é correto, do que vale a pena ser questionado e libertado.
Assim como pode ser lido como uma metáfora espetacular sobre o cerceamento dos direitos de expressão, criação e pensamento no mundo árabe de nascimento de Salman Rushdie - e infelizmente em muitos outros espalhados pelo planeta. Uma belíssima obra, que vale cada minuto de leitura, da primeira à última linha.

*** update: para quem quiser conferir, acabei de ler que a Livraria Cultura publicou meus comentários sobre o livro (seção opinião do leitor)

quinta-feira, março 13, 2008

para gostar de literatura: a vida de pi

terminei hoje de ler um dos livros mais fascinantes aos quais tive acesso nos últimos tempos: a vida de pi, de yann martel. o livro ficou famoso no brasil por causa de um suposto caso de plágio. o tema é baseado no livro max e os felinos, escrito pelo brasileiro moacyr scliar. para quem quiser saber mais sobre o caso, o observatório da imprensa publicou uma matéria bem interessante.

apesar de ter ficado longo, aproveito para compartilhar aqui alguns dos trechos que fiz questão de registrar para ler outras vezes. simplesmente belíssimo exemplo de uso da língua para expressão de sentimentos! aí vai...

"a vida é tão bela que a morte é apaixonada por ela, um amor ciumento e possessivo que agarra o que pode. mas a vida não se deixa prender pela morte e a tristeza é apenas a sombra passageira de uma nuvem."

"é interessante notar que o leão mais sensível aos truques do domador do circo é o que ocupa a mais baixa posição do grupo, o animal ômega. tem o máximo a ganhar de um estreito relacionamento com o domador superalfa. não é só uma questão de regalos extras. o estreito relacionamento também vai significar a proteção dos outros membros do bando. é esse animal dócil, em nada diferente, para o público, dos outros em tamanho e aparente ferocidade, que é a estrela do espetáculo, enquanto o domador deixa os leões beta e gama, subordinados irascíveis, sentados em seus coloridos barris na margem da arena. o mesmo ocorre com outros animais de circo e também se vê em zoológicos. os animais socialmente inferiores são os que mais fazem os engenhosos esforços para vir a conhecer seus tratadores. acabam se revelando os mais fiéis a eles, os mais necessitados de sua companhia, os com menos probabilidade de desafiá-los ou se mostrar difíceis. o fenômeno foi observado com grandes felinos, bisão, veado, cabra-selvagem, macacos e muitos outros animais. é um fato de conhecimento comum no ofício."

"a morte iminente já é bastante terrível, mas ainda pior é a morte iminente com tempo de sobra, tempo em que toda felicidade que tínhamos e toda a felicidade que ainda poderíamos ter se tornam claras para nós. a gente vê com absoluta lucidez tudo o que vai perder. a visão provoca uma tristeza opressiva a que nenhum carro prestes a nos atropelar ou água prestes a nos afogar se equipara."

"alguns de nós desistem da vida com apenas um suspiro resignado. outros lutam um pouco, depois perdem a esperança. outros ainda - e me incluo entre estes - jamais desistem. lutamos, lutamos e lutamos. lutamos não importa o custo da batalha, as perdas que sofremos, a improbabilidade de sucesso. lutamos até o fim. não é uma questão de coragem. é algo físico, uma incapacidade de desistir. talvez não seja mais que uma avidez estúpida pela vida."

"preciso dizer uma palavra sobre o medo. só o medo pode derrotar a vida. ele é um adversário inteligente e traiçoeiro, eu bem sei. não tem ética alguma, não respeita nenhuma lei ou convenção, não demonstra qualquer misericórdia. vai atrás de nosso ponto mais fraco, o que encontra com inequívoca facilidade. começa sempre em nossa mente, sempre. num momento, a gente está se sentindo calmo, com autodomínio, feliz. então o medo, disfarçado de dúvida, de modos suaves, entra furtivamente em nossa mente, como um espião. a dúvida se encontra com a descrença e a descrença tenta enxotá-la. mas a descrença é um soldado de infantaria pobremente armado. a dúvida acaba com ela sem muito problema. a gente fica ansioso. surge a razão para lutar por nós. a gente se sente tranqüilizado. a razão é totalmente equipada com a tecnologia das armas mais modernas. contudo, para nosso espanto, apesar de sua tática superior e de inúmeras vitórias inegáveis, a razão é derrubada. a gente se sente enfraquecendo, oscilando. nossa ansiedade se transforma em pânico. o medo em seguida volta-se com força total para nosso corpo, que já sabe que alguma coisa terrivelmente errada está acontecendo. a essa altura os pulmões já voaram longe como um pássaro e as entranhas se afastaram, escorregadias como uma serpente. a língua então cai morta como um gambá, enquanto o maxilar se põe a galopar. os ouvidos ensurdecem. os músculos começam a tremer como se estivessem com malária e os joelhos a sacudir como se dançassem. o coração se esforça demais e o esfíncter relaxa demais. e assim acontece com o resto do corpo. cada parte de nós, da maneira que mais lhe convém, se desintegra. só os olhos funcionam bem. sempre prestam atenção correta ao medo. logo passamos a tomar decisões precipitadas. descartamos nossos últimos aliados: a esperança e a confiança. aí, nós mesmos já nos derrotamos. o medo, que não passa de uma impressão, triunfou sobre nós. o problema é difícil de pôr em palavras, pois o medo, o verdadeiro medo, daqueles que nos abalam até as bases, como o que sentimos quando somos levados a enfrentar nosso fim mortal, aninha-se em nossa memória como uma gangrena: tenta apodrecer tudo, até as palavras para falar dele. assim, precisamos nos esforçar mais ainda para expressá-lo. e lutar para acender-lhe a luz das palavras. porque, se não o fizermos, se o medo se tornar uma escuridão inexprimível que passamos a evitar, e talvez até consigamos esquecer, nos abriremos para outros ataques de medo, porque jamais combateremos verdadeiramentre o adversário que nos derrotou."

"na vida, é importante concluir tudo corretamente. só então podemos nos soltar. do contrário, permaneceremos com palavras que devíamos dizer mas nunca o fizemos, e com o coração pesado de remorso."