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domingo, novembro 22, 2009

licença literária: caim, de josé saramago


repetindo o que escrevi para a resenha da cultura, apesar de não ser uma prerrogativa dele, saramago é daqueles escritores que inspiram reações extremas: há quem ame, há quem não suporte. li caim praticamente numa sentada: a leitura é fluida, especialmente para quem já se acostumou com a pontuação característica do autor. li também muitas críticas feitas ao livro - que particularmente não vi fujirem muito do que se falou quando da publicação do evangelho segundo jesus cristo. não me parece que seja um livro para ser criticado do ponto de vista teológico ou mesmo da fé - não tem nenhuma novidade no fato do saramago ser ateu de carteirinha e tecer críticas às interpretações que se fazem da bíblia. eu vi um saramago atrevido, bem resolvido, diria bem sucedido no alinhavar de algumas das principais passagens do velho testamento, e distribuindo doses de bom humor em doses homeopáticas onde cabia. vi um saramago questionador, mas novamente não pelo óbvio ângulo do ateu descrente, mas com provocações que me pareceram pertinentes apesar da ousadia. eu gostei do livro e recomendo.

domingo, agosto 02, 2009

para botar os comentários literários em dia

porque a "pessoa" por aqui conserva o "mau hábito" de ler muito e sempre. sim, travo lutas difíceis de virar com a agenda absurda de trabalho de um consultor em estratégia de TI; mas de batalha em batalha, a boa nova é que permaneço firme, forte - e até aqui - vencedora (mesmo que por muito pouco!)... vamos então aos comentários atrasados...

coffe with mozart, escrito pelo musicólogo julian rushton - e com prefácio do compositor sir john tavener - é leve e completo. Recomendado para quem - como eu, mesmo que de brincadeira - não carrega mozart no sobrenome ou ainda não teve coragem para encarar a biografia definitiva do mestre austríaco, ao menos na minha modesta opinião (para quem não conhece trata-se de mozart, escrito pelo respeitado musicólogo maynard solomon). Trata-se de uma imaginária entrevista entre o autor e o gênio de salzburg - apesar do argumento de ficção, os fatos narrados são todos baseados sólida fonte biográfica.



foi então que comecei a pensar mais sobre a fase do desenvolvimento da música impulsionada pela Alemanha protestante, especialmente pelos hinos luteranos em vernáculo. e assim o próximo na lista foi...

lutero, o grande reformador que revolucionou seu tempo e mudou a história da igreja. bem, para quem escolheu férias de modo a estar na Thomas-Kirsche em Leipzig, para o culto especial do feriado da Reforma em 2008, creio que a escolha dispensa maiores delongas. De leitura fluida e agradável, achei um ótimo resumo para a vida, motivações e principais realizações e desafios encarados pelo revolucionário político e religioso, martin luther. Fica a dica para rever o filme Lutero, após a leitura. Para quem já tentou assistir, aposto que vai ficar mais clara a cena que retrata a queda do raio ao lado do menino estudante, durante uma terrível tempestade, e a promessa feita para Santa Ana. Achei isso particularmente motivador, numa época em que assertividade e outros valores equivalentes são contestados até pelos pós-graduados... (sim, esta farpa tem destinatário certo. ponto.)

no meu criado-estante ultimamente repousam dois: música, maestro, do nosso grande julio medaglia; e o caderno, de josé saramago. o música, maestro está se revelando uma leitura interessante - embora nem de longe terá sido minha primeira viagem monitorada pela história da música ocidental. já o caderno tem uma coisa curiosa: trata-se de uma coleção de textos publicados no blog do saramago, portanto todos disponíveis online; portanto, é quase uma prova de conceito a favor do livro impresso, visto que está sendo consumido por alguém tão online quanto eu. mas esses dois eu vou deixar para comentar mais propriamente numa próxima vez.