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segunda-feira, junho 07, 2010

Preview: The Gun Seller by Hugh Laurie

Hilarious seemed an appropriate word to summarize Mr. Laurie's first venture in the writing business. You see, we are supposed to fear the bad guys, but Mr. Lang happens to reveal himself a pretty nice guy. I finally bought this book a couple of days ago and I couldn't resist its great mood. Still soon for a more appropriate review but first 70 pages' impressions are already delicious. Will be out for a while... bis Bald! :)

sexta-feira, abril 23, 2010

Dia Mundial do Livro! :)

Para mim, Dia Mundial do gênero Romance. Porque confesso: leitora compulsiva e incorrigível, leio de tudo mas tenho uma preferência declarada pelo romance. E para comemorar este dia ao meu estilo, posto aqui algumas palavras sobre o As Avós:
As Avós foi minha porta de entrada para o universo da escritora Doris Lessing, persa de nascimento, ganhadora do Prêmio Nobel de Literatura aos 88 anos (2007). Doris é considerada uma das escritoras que mais têm sido feliz em personificar o papel da mulher no século XX. Nesse sentido, As Avós talvez seja uma das melhores portas de entrada, apesar do extenso conjunto da obra de Doris. Nas não mais do que 97 páginas desta edição da Companhia das Letras, o leitor é levado ao intrincado universo feminino, marcado pelas experiências íntimas das amigas de infância, que se tornam esposas, mães, amantes, sogras e avós. E a quem cabe iniciar e interromper tudo o que ameace a "ordem estabelecida". Temas socialmente complexos são apresentados de forma absolutamente fluida e livre de preconceito. A sensibilidade da autora é notável. Uma grande leitura: recomendado!

Para fechar este post, deixo um dos trechos cuja construção me chamou a atenção:
"Tom parecia inquieto, o humor mudava muito. Estava infeliz, mas não sabia. Nunca se sentira infeliz na vida. Não reconheceu a dor pelo que era. Há pessoas que nunca ficam doentes, aí que um dia adoecem e sentem-se tão afrontadas, tão envergonhadas que podem até morrer."

quarta-feira, janeiro 27, 2010

licença literária: o homem que queria salvar o mundo


entre uma leitura e outra, dia desses optei por passar um livro na frente "da fila". quem já me conhece, sabe que sou leitora compulsiva e frequentemente leio mais de um simultaneamente. mas neste caso, confesso: deixei outros aguardando na fila, e ando dedicada à história pessoal e aos registros de 30 anos de profissão do que provavelmente terá sido o mais carismático e humanista diplomata brasileiro. o homem é sergio vieira de mello, e o livro escrito com competência por samantha power é "o homem que queria salvar o mundo". a leitura é densa, especialmente para, digamos, "não iniciados" no universo e entrelinhas das relações institucionais e internacionais. mas é também transparente e factual, destacando as habilidades natas de sergio mas nem porisso deixando de tecer críticas interessantes em alguns episódios de seu desempenho como diplomata. ainda estou longe de acabar, mas já deu para sentir que dificilmente algum outro membro da "fila" aqui em casa vai ter chance de roubar a cena desta leitura antes do fim... :)

domingo, dezembro 27, 2009

licença literária: a música desperta o tempo


grande apreciadora do daniel barenboim pianista, diretor artístico e regente de grandes orquestras, descobri com alegria recentemente o barenboim escritor, com a obra a música desperta o tempo.

parte da discussão proposta pelo livro foi tratada pelo autor com sua west-eastern divan orchestra, durante um seminário conduzido no Festival de Salzburg em 2007 (Áustria). com alegria - e quase que por acaso - assisti parte deste seminário transmitido com exclusividade pelo canal a cabo Film&Arts na série School for the Ear. após uma pequena pesquisa, encontrei a série disponível no youtube e aproveito para deixar aqui abaixo o link para a primeira parte, para quem quiser conferir (a partir do primeiro é possível acessar os demais na seção de links relacionados).

mas voltando ao livro. seu primeiro capítulo é aberto com a afirmação "acredito veementemente que seja impossível falar sobre música". felizmente, o autor logo assume a responsabilidade por "tentar o impossível" e nos promete delinear conexões entre o conteúdo inexprimível da música e o conteúdo inexprimível da vida.

me pareceu particularmente interessante a discussão sobre a diferença entre "escutar" e "ouvir". de fato, num tempo onde a imagem é tão valorizada, o empobrecimento do sentido da audição é uma verdade bastante inconveniente e nos estimula, infelizmente, a ouvir sem escutar. ou como muito bem lembrado por barenboim, pior ainda é a tendência contemporânea - especialmente na propaganda - de reduzir a música a um "barulho" de fundo, criando falsas associações e novamente, levando as pessoas a ouvir sem se concentrar, por simples imposição da imagem.

a partir do capítulo 3, "liberdade de pensamento e interpretação", barenboim cria as bases para o raciocínio que vai desenvolver até o final do livro, tomando por base uma proposição presente na ética de spinoza: "o homem pensa". ainda segundo o autor, muitos dos tópicos apresentados têm ocupado seus pensamentos por décadas, constituindo o resultado de quase sessenta anos de atuação, instrução e contemplação.

o resultado não poderia ser mais feliz. aos meus olhos (ou seriam ouvidos?), o autor parece, se não conseguido exprimir o impossível, ter chegado bastante próximo disso. excelente reflexão sobre o "ar sonoro" das palavras do pianista e compositor alemão ferrucio busoni. porém não menos importante destacar ainda o belo discurso sobre música e política, através dos relatos dos feitos da west-eastern divan orchestra, assim batizada em homenagem aos poemas homônimos de goethe, publicados em 1819, e uma das primeiras obras reconhecidas como exemplar do interesse genuíno de um europeu sobre outras culturas. excelente leitura!

segunda-feira, dezembro 21, 2009

Ideias em ação: Doe Um Livro no Natal!


li uma notinha hoje muito representativa do poder combinado da comunicação digital com a força de um sonho de pessoas - pessoas que para além do sonho, se levantam e edificam. é sobre a campanha doe um livro no natal, que começou da iniciativa de duas pessoas que não se conheciam, mas investindo numa ideia comum fizeram acontecer esta bela campanha. acesse o blog da campanha para saber mais detalhes: como surgiu, quem está mobilizado em torno desta causa e inclusive pontos de coleta de livros. entram livros de literatura apenas (não didáticos). a meta é chegar a 100,000 livros até o dia 23 de dezembro. em 18 de dezembro já estavam em 78,000. vamos ajudar a fazer a diferença? eu tô indo na Droga Raia entregar os meus... :)

quinta-feira, dezembro 10, 2009

algumas linhas sobre istanbul


talvez mais uma retomada do que uma próxima leitura. voltei para o istanbul, do nobel turco orhan pamuk. é bem bacana quando acontece de retomarmos uma leitura deixada inacabada antes e nos pegarmos sem respostas sobre o porquê ficou inacabada uma obra tão interessante. istanbul é um romance - não por acaso meu genêro favorito de literatura - mas um romance que parece escrito em poesia, uma sequência sensível de registros de luz e sombra, as memórias de uma cidade que já teve dias melhores e grandiosos. música para os olhos. volto a escrever sobre istanbul. por ora, fico por aqui e volto correndo para a leitura. fui! :)

domingo, novembro 22, 2009

licença literária: caim, de josé saramago


repetindo o que escrevi para a resenha da cultura, apesar de não ser uma prerrogativa dele, saramago é daqueles escritores que inspiram reações extremas: há quem ame, há quem não suporte. li caim praticamente numa sentada: a leitura é fluida, especialmente para quem já se acostumou com a pontuação característica do autor. li também muitas críticas feitas ao livro - que particularmente não vi fujirem muito do que se falou quando da publicação do evangelho segundo jesus cristo. não me parece que seja um livro para ser criticado do ponto de vista teológico ou mesmo da fé - não tem nenhuma novidade no fato do saramago ser ateu de carteirinha e tecer críticas às interpretações que se fazem da bíblia. eu vi um saramago atrevido, bem resolvido, diria bem sucedido no alinhavar de algumas das principais passagens do velho testamento, e distribuindo doses de bom humor em doses homeopáticas onde cabia. vi um saramago questionador, mas novamente não pelo óbvio ângulo do ateu descrente, mas com provocações que me pareceram pertinentes apesar da ousadia. eu gostei do livro e recomendo.

domingo, agosto 02, 2009

para botar os comentários literários em dia

porque a "pessoa" por aqui conserva o "mau hábito" de ler muito e sempre. sim, travo lutas difíceis de virar com a agenda absurda de trabalho de um consultor em estratégia de TI; mas de batalha em batalha, a boa nova é que permaneço firme, forte - e até aqui - vencedora (mesmo que por muito pouco!)... vamos então aos comentários atrasados...

coffe with mozart, escrito pelo musicólogo julian rushton - e com prefácio do compositor sir john tavener - é leve e completo. Recomendado para quem - como eu, mesmo que de brincadeira - não carrega mozart no sobrenome ou ainda não teve coragem para encarar a biografia definitiva do mestre austríaco, ao menos na minha modesta opinião (para quem não conhece trata-se de mozart, escrito pelo respeitado musicólogo maynard solomon). Trata-se de uma imaginária entrevista entre o autor e o gênio de salzburg - apesar do argumento de ficção, os fatos narrados são todos baseados sólida fonte biográfica.



foi então que comecei a pensar mais sobre a fase do desenvolvimento da música impulsionada pela Alemanha protestante, especialmente pelos hinos luteranos em vernáculo. e assim o próximo na lista foi...

lutero, o grande reformador que revolucionou seu tempo e mudou a história da igreja. bem, para quem escolheu férias de modo a estar na Thomas-Kirsche em Leipzig, para o culto especial do feriado da Reforma em 2008, creio que a escolha dispensa maiores delongas. De leitura fluida e agradável, achei um ótimo resumo para a vida, motivações e principais realizações e desafios encarados pelo revolucionário político e religioso, martin luther. Fica a dica para rever o filme Lutero, após a leitura. Para quem já tentou assistir, aposto que vai ficar mais clara a cena que retrata a queda do raio ao lado do menino estudante, durante uma terrível tempestade, e a promessa feita para Santa Ana. Achei isso particularmente motivador, numa época em que assertividade e outros valores equivalentes são contestados até pelos pós-graduados... (sim, esta farpa tem destinatário certo. ponto.)

no meu criado-estante ultimamente repousam dois: música, maestro, do nosso grande julio medaglia; e o caderno, de josé saramago. o música, maestro está se revelando uma leitura interessante - embora nem de longe terá sido minha primeira viagem monitorada pela história da música ocidental. já o caderno tem uma coisa curiosa: trata-se de uma coleção de textos publicados no blog do saramago, portanto todos disponíveis online; portanto, é quase uma prova de conceito a favor do livro impresso, visto que está sendo consumido por alguém tão online quanto eu. mas esses dois eu vou deixar para comentar mais propriamente numa próxima vez.

sábado, junho 20, 2009

licença literária: o cavaleiro inexistente

O livrinho é uma jóia. Um romance de cavalaria às avessas, que conta a estória do cavaleiro Agilulfo Emo Bertandino dos Guildiverni e dos Altri de Corbentraz e Sura - o cavaleiro da impecável armadura branca e que na verdade não existe - a partir da pena e penitência atribuída a uma freira confinada num convento. Curtinho, leve e muito bem humorado. Ótima leitura de fim de semana.

Extraí do texto integral um trecho que a mim disse muito. Muito mais do que o que está escrito, muito mais do que o contexto a que se refere. O que é a vida de cada um de nós senão um livro vazio aguardando por ser inteirativamente escrito? O que é a estória de cada dois, senão um livro a ser escrito a quatro mãos?

"Começa-se a escrever com gana, porém há um momento em que a pena não risca nada além de tinta poeirenta, e não escorre nenhuma gota de vida, e a vida está toda fora, além da janela, fora de você, e lhe parece que nunca mais poderá refugiar-se na página que escreve, abrir um outro mundo, dar um salto. Quem sabe é melhor assim; talvez quando escrevia com prazer não era milagre nem graça: era pecado, idolatria, soberba. Então, estou fora disso tudo? Não, escrevendo mudei para melhor: consumi apenas um pouco de juventude ansiosa e inconsciente. De que valerão estas páginas descontentes? O livro vazio não valerá mais do que você vale. Não há garantias de que a alma se salve ao escrever. Escreve, escreve, e sua alma já se perdeu."

sábado, maio 30, 2009

notinha sobre os Contos na Era do Jazz...


dia desses comprei um exemplar de "contos na era do jazz", que nos tempos atuais e por causa do sucesso do filme "o curioso caso de benjamin button" está disponível numa edição que leva o nome deste um conto. a leitura do pequeno conto (28 páginas na minha edição) que deu origem ao filme de 166 minutos na versão do diretor David Fincher me fez pensar sobre o poder de transformação e mesmo aperfeiçoamento de boas idéias. porque o conto até é interessante, mas a estória contada no filme só consegue manter fidelidade à essência: a estória de um bebê que nasce com aspecto e condições de saúde de um velho de oitenta anos. particularmente, achei a versão da telona muito mais interessante. e juro que não foi (só) por causa do brad pitt...

quarta-feira, abril 22, 2009

licença literária: algumas impressões sobre thérèse raquin

Publicado originalmente em 1867, thérèse raquin foi um verdadeiro escândalo. tanto assim que émile zola, o autor, fez questão de escrever um prefácio já para a segunda edição francesa, acreditando poder melhor esclarecer que seu propósito estava muito mais ligado ao estudo dos temperamentos do que dos caracteres de suas personagens. seja como for, as impressões do fantasma do marido camile me assombraram verdadeiramente durante toda a leitura: impossível afastar a imagem do marido afogado, com seu corpo inchado, descolorido e seus olhos vazando por todos os lados - nem sua onipresença desconcertante na vida dos amantes. impressão parecida e não menos permanente invade outros sentidos do leitor, ao imaginar a umidade horrenda da lojinha do beco, por exemplo. estas sensações são tão permanentes, que nem mesmo as tórridas cenas de amor e sangue entre os protagonistas thèrése e laurent, fazem espairecer a mente do leitor. e como para crueldade não existem limites, não faltam sofrimento de mãe e o horror da descoberta tardia dos assassinos e do motivo do crime. um livro duro, embora infelizmente não muito difícil de encontrar equivalentes possíveis na vida real. uma ótima leitura.

domingo, janeiro 04, 2009

updates de férias de verão...

para quem está acompanhando meu projeto salman rushdie, aqui vai uma nova: shalimar, o equilibrista é finito! :) o livro, publicado em 2005 em lançamento mundial no brasil, entrou para a fila dos que de fato me impressionaram dentre minhas andanças literárias de 2008. gostaria eu de saber muito mais sobre a situação da kashemira (norte da índia, já na fronteira com o paquistão), do que de fato sei. uma vez mais e ao melhor estilo professor de história do autor, o leitor tem no livro tudo o que é necessário - e apenas o que é necessário - para acompanhar a trama e mergulhar na densidade psicológica das personagens. espetacular a aula sobre o ambiente social e político que fomenta o nascimento de novas gerações de fundamentalistas islâmicos. recomendado! notinha: já iniciada a leitura de outro romance do autor que apesar do pouco lido até agora já deu sinais de ser outra grande obra: o último suspiro do mouro. aguardem...
* * *
aprendi nestas férias de verão que em minas gerais até hotel de luxo "esquece" de emitir nota fiscal de serviços... e isso em cidade turística, heim? seria uma prerrogativa dos mineiros ou deveríamos dizer dos não-paulistas? depois ninguém entende porque o estado de conservação das estradas mineiras é lamentável...

* * *
e para compartilhar idéias geniais, olhem só que fofurinha este cartoon selecionado dentre os melhores de 2008 pela equipe da the new yorker... (gentilmente encaminhado pelo meu namorado calvin)... :)

segunda-feira, outubro 20, 2008

seja você o papai noel

li hoje a respeito de uma iniciativa interessante dos Correios do Brasil. soube que recebem cerca de 17 milhões de cartinhas de crianças carentes endereçadas ao Papai Noel... e são pedidos inacreditáveis: tem criança pedindo um panetone, uma blusa de frio (para a avó), bolinhas de gude. para participar é muito simples: basta passar numa agência dos Correios pegar a cartinha e deixar o presentinho até 20 de dezembro - os Correios se encarregam da entrega. vamos brincar de papai noel? :)
* * *
abrimos ontem um livro conceito muito interessante. é a edição da Cosac Naify para o clássico de 1853, Bartleby, o escrivão - Uma história de Wall Street, de herman melville. excelente proposta editorial para ilustrar a famosa fórmula de resistência "acho melhor não" do nosso escrivão protagonista. é justamente a frase que fica martelando na sua cabeça enquanto você literalmente rasga, descostura e corta páginas deste projeto primoroso. recomendado!

terça-feira, setembro 30, 2008

passeios do corpo e da alma

são muitas coisas para escrever, questionar e ensaiar, fomentadas pela leitura de versos satânicos, minha nova incursão pela literatura de salman rushdie. vale um post à parte. por enquanto, a meio caminho de finalizar a leitura (511 páginas na edição da Cia das Letras de 2003), não consigo deixar de pensar se Ayesha ao convocar a peregrinação para Jahilia pelo mar, o faz mesmo em nome do divino...
* * *registro fotográfico da vista da metrópole a partir da Trilha da Pedra Grande, um afloramento rochoso de granito localizado numa antiga estrada preservada dentro da Serra da Cantareira (núcleo Pedra Grande), que permite uma vista da cidade de norte a sul. dizem que em dias de céu aberto é possível observar inclusive trechos da serra do mar... o que vimos foi uma imensa nuvem de chuva precipitando sobre a zona norte, coberta por uma imensidão azul. para ver a serra do mar, quem sabe no verão? :)
***
hora de encarar o dia fechado que se formou enquanto eu escrevia estas linhas aqui para o blog. do solzinho entrando pela janela, se demorar saio literalmente debaixo de chuva grossa!

quarta-feira, setembro 10, 2008

pinceladas literárias

literatura. embora dado como certo pelos críticos do meio, salman rushdie (para quem não se lembra é o escritor condenado à morte em 1989 pelos líderes do Irã por causa de seu livro versos satânicos), finalmente não ficou entre os 6 finalistas para concorrer ao prestigioso booker prize 2008. uma pena. para quem não conhece a fama do talentoso rushdie, dêem só uma olhada na lista de feitos só para ficar nos booker prize:
  • 1981 - ganhador com midnigth's children (os filhos da meia-noite)
  • 1983 - finalista com shame (vergonha)
  • 1988 - finalista com satanic verses (versos satânicos)
  • 1995 - finalista com the moor's last sigh (o último suspiro do mouro)
para quem quiser conferir, publiquei um pequeno post sobre haroun e o mar de histórias, que foi escrito por rushdie como forma de explicar ao filho por que tinha perdido a liberdade de expressão. recomendo, não apenas este mas ainda um outro que estou lendo no momento: shalimar, o equilibrista (2005).
* * *
ainda sobre literatura. pesquisando um pouco mais sobre o propósito e critérios do Booker Prize, alguns cliques mais tarde cheguei a uma visita há muito desejada embora nunca antes realizada: o website do Prêmio Nobel. Se você nunca passeou por lá, visita mais do que recomendada; se já passeou, volte. Tem muita coisa bacana e especialmente amei ter num só repositório as integrais de todos os discursos das cerimônias de premiação.
Senti (muita) falta de ver nomes como (o meu grande querido) (Jorge Luis) Borges por lá. E sonhei (bem alto) em ver o do Milton Hatoum... :)
***
e para acabar mais uma sobre literatura. porque tenho estado bastante ocupada com temas borgianos. De um lado, El Aleph, desafiando não apenas minha erudição em espanhol mas também meus conhecimentos de literatura clássica; de outro, o Curso de Literatura Inglesa, um belo projeto patrocinado pela Martins Fontes para recuperação das aulas dadas pelo mestre Borges em 1966 para alunos da Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade de Buenos Aires.

quarta-feira, julho 16, 2008

licença literária: haroun e o mar de histórias

Mais novo integrante da minha lista de leituras finalizadas, Haroun e o Mar de Histórias é um livro simplesmente surpreendente. E por alguns bons motivos. Me explico... Surpreendente porque é parte daquela categoria de histórias que pode ser lida e interpretada sob muitas óticas distintas. Tal como acontece em clássicos como Flatland, do matemático Edwin Abbott e O Pequeno Príncipe, de Saint-Exupèry - só para citar alguns dos muitos que me vêm à cabeça quando o tema é metáfora.
Surpreendente porque conta uma estória de seres fantásticos, perfeitamente integrados apesar da diversidade entre eles, unidos pelo ideal de salvar as palavras e combinações tecidas pelos fios de histórias - estes enfraquecidos e aprisionados pelo propósito de extermínio pelos seres mudos das sombras. Apesar de fantásticos, seres comuns com suas qualidades e limitações, reconfortados e fortalecidos pela percepção coletiva do que é correto, do que vale a pena ser questionado e libertado.
Assim como pode ser lido como uma metáfora espetacular sobre o cerceamento dos direitos de expressão, criação e pensamento no mundo árabe de nascimento de Salman Rushdie - e infelizmente em muitos outros espalhados pelo planeta. Uma belíssima obra, que vale cada minuto de leitura, da primeira à última linha.

*** update: para quem quiser conferir, acabei de ler que a Livraria Cultura publicou meus comentários sobre o livro (seção opinião do leitor)

quinta-feira, março 13, 2008

para gostar de literatura: a vida de pi

terminei hoje de ler um dos livros mais fascinantes aos quais tive acesso nos últimos tempos: a vida de pi, de yann martel. o livro ficou famoso no brasil por causa de um suposto caso de plágio. o tema é baseado no livro max e os felinos, escrito pelo brasileiro moacyr scliar. para quem quiser saber mais sobre o caso, o observatório da imprensa publicou uma matéria bem interessante.

apesar de ter ficado longo, aproveito para compartilhar aqui alguns dos trechos que fiz questão de registrar para ler outras vezes. simplesmente belíssimo exemplo de uso da língua para expressão de sentimentos! aí vai...

"a vida é tão bela que a morte é apaixonada por ela, um amor ciumento e possessivo que agarra o que pode. mas a vida não se deixa prender pela morte e a tristeza é apenas a sombra passageira de uma nuvem."

"é interessante notar que o leão mais sensível aos truques do domador do circo é o que ocupa a mais baixa posição do grupo, o animal ômega. tem o máximo a ganhar de um estreito relacionamento com o domador superalfa. não é só uma questão de regalos extras. o estreito relacionamento também vai significar a proteção dos outros membros do bando. é esse animal dócil, em nada diferente, para o público, dos outros em tamanho e aparente ferocidade, que é a estrela do espetáculo, enquanto o domador deixa os leões beta e gama, subordinados irascíveis, sentados em seus coloridos barris na margem da arena. o mesmo ocorre com outros animais de circo e também se vê em zoológicos. os animais socialmente inferiores são os que mais fazem os engenhosos esforços para vir a conhecer seus tratadores. acabam se revelando os mais fiéis a eles, os mais necessitados de sua companhia, os com menos probabilidade de desafiá-los ou se mostrar difíceis. o fenômeno foi observado com grandes felinos, bisão, veado, cabra-selvagem, macacos e muitos outros animais. é um fato de conhecimento comum no ofício."

"a morte iminente já é bastante terrível, mas ainda pior é a morte iminente com tempo de sobra, tempo em que toda felicidade que tínhamos e toda a felicidade que ainda poderíamos ter se tornam claras para nós. a gente vê com absoluta lucidez tudo o que vai perder. a visão provoca uma tristeza opressiva a que nenhum carro prestes a nos atropelar ou água prestes a nos afogar se equipara."

"alguns de nós desistem da vida com apenas um suspiro resignado. outros lutam um pouco, depois perdem a esperança. outros ainda - e me incluo entre estes - jamais desistem. lutamos, lutamos e lutamos. lutamos não importa o custo da batalha, as perdas que sofremos, a improbabilidade de sucesso. lutamos até o fim. não é uma questão de coragem. é algo físico, uma incapacidade de desistir. talvez não seja mais que uma avidez estúpida pela vida."

"preciso dizer uma palavra sobre o medo. só o medo pode derrotar a vida. ele é um adversário inteligente e traiçoeiro, eu bem sei. não tem ética alguma, não respeita nenhuma lei ou convenção, não demonstra qualquer misericórdia. vai atrás de nosso ponto mais fraco, o que encontra com inequívoca facilidade. começa sempre em nossa mente, sempre. num momento, a gente está se sentindo calmo, com autodomínio, feliz. então o medo, disfarçado de dúvida, de modos suaves, entra furtivamente em nossa mente, como um espião. a dúvida se encontra com a descrença e a descrença tenta enxotá-la. mas a descrença é um soldado de infantaria pobremente armado. a dúvida acaba com ela sem muito problema. a gente fica ansioso. surge a razão para lutar por nós. a gente se sente tranqüilizado. a razão é totalmente equipada com a tecnologia das armas mais modernas. contudo, para nosso espanto, apesar de sua tática superior e de inúmeras vitórias inegáveis, a razão é derrubada. a gente se sente enfraquecendo, oscilando. nossa ansiedade se transforma em pânico. o medo em seguida volta-se com força total para nosso corpo, que já sabe que alguma coisa terrivelmente errada está acontecendo. a essa altura os pulmões já voaram longe como um pássaro e as entranhas se afastaram, escorregadias como uma serpente. a língua então cai morta como um gambá, enquanto o maxilar se põe a galopar. os ouvidos ensurdecem. os músculos começam a tremer como se estivessem com malária e os joelhos a sacudir como se dançassem. o coração se esforça demais e o esfíncter relaxa demais. e assim acontece com o resto do corpo. cada parte de nós, da maneira que mais lhe convém, se desintegra. só os olhos funcionam bem. sempre prestam atenção correta ao medo. logo passamos a tomar decisões precipitadas. descartamos nossos últimos aliados: a esperança e a confiança. aí, nós mesmos já nos derrotamos. o medo, que não passa de uma impressão, triunfou sobre nós. o problema é difícil de pôr em palavras, pois o medo, o verdadeiro medo, daqueles que nos abalam até as bases, como o que sentimos quando somos levados a enfrentar nosso fim mortal, aninha-se em nossa memória como uma gangrena: tenta apodrecer tudo, até as palavras para falar dele. assim, precisamos nos esforçar mais ainda para expressá-lo. e lutar para acender-lhe a luz das palavras. porque, se não o fizermos, se o medo se tornar uma escuridão inexprimível que passamos a evitar, e talvez até consigamos esquecer, nos abriremos para outros ataques de medo, porque jamais combateremos verdadeiramentre o adversário que nos derrotou."

"na vida, é importante concluir tudo corretamente. só então podemos nos soltar. do contrário, permaneceremos com palavras que devíamos dizer mas nunca o fizemos, e com o coração pesado de remorso."

quinta-feira, setembro 20, 2007

salvem as baleias!

recebi esses dias uma dica muito bacana a respeito de um website patrocinado pelo nosso ministério da educação do brasil, que compila várias obras que já se encontram em domínio público e outras com a devida licença por parte dos titulares dos direitos autorais pendentes.

tem de tudo: livros, pinturas, fonogramas de música erudita (inclusive brasileira), e muitas outras coisas interessantes. encontrei de fernando pessoa a van gogh; de dante alighieri a dissertações de mestrado e teses de doutorado. uma verdadeira biblioteca digital.

o website é o domínio público e, segundo me contaram, encontra-se em vias de ser desativado por falta de tráfego. pode isso? recomendo que você planeje uma visita por lá. e claro, que recomende para outros!

dica do meu querido marco. obrigada! :)

sábado, junho 30, 2007

desabafo em forma de crítica

numa dessas verdadeiras operações pente fino, dia desses encontrei uma pequena jóia na estante de crítica literária da minha livraria favorita. 160 páginas de uma edição da companhia das letras, para o registro impresso de palestras proferidas entre 1967-1968, pelo poeta argentino jorge luis borges, em inglês na Universidade de Harvard.

composto em 6 capítulos - um para cada uma das palestras do que ficou conhecido como as Norton Lectures - o livro é uma belíssima introdução à literatura, ao gosto e à visão própria de borges.

e como a forma é de crítica, mas o conteúdo deste post um desabafo, escolhi duas passagens desse ofício do verso, para ilustrar o objetivo, ambas registradas na última palestra o credo de um poeta: um pensamento do mestre e uma citação de um poema de robert frost, onde a metáfora destaca na repetição aparente uma profunda reflexão em verso.

"acho que a pessoa deve tentar acreditar nas coisas, mesmo que elas a decepcionem mais tarde." (j.l.borges)

"for I have promises do keep
and miles to go before I sleep
and miles to go before I sleep"
(robert frost)

quarta-feira, junho 13, 2007

entre cálculos e letras, resultados e sentimentos

não sei dizer ao certo como foi que, com um enorme gosto pela literatura desde tempos imemoriáveis, vim a me formar engenheira de computação. creio que seja mesmo uma pessoa feliz, pois, pudesse eu voltar no tempo, uma vez mais entregaria minha inteligência e vitalidade à engenharia, algo que sempre admirei. é bem verdade que atuando em processos, da engenharia mesmo trago não muito mais do que o entorno de sua essência: a capacidade de raciocinar, estabelecer relações, planejar, executar e controlar... :)

e me esforço em igual medida para não me desprender jamais da poesia, da leitura... e da escrita. sou daquelas pessoas que têm apetite de informação multidisciplinar, mas não menos voraz se revela meu interesse por cultura. não é para menos o fato de eu ser absolutamente incapaz de ler um livro por vez... em geral, leio muito e vários simultaneamente, o que para mim é perfeitamente normal. curioso.

esses dias meu interesse anda focado no estudo sistemático da estrutura narrativa, especialmente para textos jornalísticos, entrevistas e escrita literária. como determinar a linha tênue que divide o que é e o que não é um texto com valor literário? pretendo descobrir se não uma resposta razoável, no mínimo uma porção de outras perguntas que me ajudem a percorrer meu próprio caminho nesta investigação.

estou lendo "o estranho caso do cachorro morto", um romance que apesar do título sui generis tem um argumento narrativo absolutamente envolvente. tomando emprestado o critério que o protagonista, o menino christopher, usa para determinar se um dia será bom, muito bom, ruim ou muito ruim, com uma pequena modificação crio o meu próprio: dia bom passa a ser mais do que um dia em que valeu a pena levantar da cama porque algo de interessante foi realizado. dia bom merece uma tentativa de texto literário, um conto, uma poesia, um texto qualquer - ainda que seja para o concurso literário mensal da revista piauí... :)

fica por aqui então minha tentativa de feito literário de hoje: o texto que escrevi para encaixar a frase "Ele implicava com leiloeiros; apreciava mais os falsários". é mais do que certo que eu como aprendiz de escritora devo ser uma ótima leitora... mas fecho este dia feliz de ter entregue ao dia "muito bom" um pequeno exemplar de algo pelo qual vale a pena levantar da minha cama. será? :)

nota: como não sei se a revista mantém os textos para consulta depois do encerramento do concurso, uma cópia alternativa do mesmo será mantida aqui.